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Nossos Ancestrais

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Ancestralidade Africana De onde vieram nossos ancestrais africanos?  A grande maioria veio da chamada África Ocidental e Centro-Ocidental. Rasgada por imensos rios, a plataforma rígida formada por uma série de planaltos  -        como disse um historiador:

"Uma cidadela solitária e hostil. Raras fendas, abertas na bruta fortaleza, permitem entrar-lhe no recinto".

A história desta região, que vai do Senegal a Angola, revela a presença de povos, desde há muito, conhecedores da agricultura e do ferro. Pertencentes aos milenares troncos linguísticos nígero-congolês ou banto, sua organização social ficou marcada por uma luta feroz contra a natureza hostil. Ampliar as sociedades, humanizar a terra e lutar contra um clima impiedoso foi tarefa que, desde a Antiguidade, empurrou colonos para as savanas em busca de melhores condições de vida. A crescente desertificação do Saara, assim como o árduo desflorestamento de áreas ao sul do deserto, convidava grupos a se estabelecerem, embora de forma dispersa, em planícies inundáveis e sobre pequenas colinas. A escolha de tais lugares não era aleatória. Estas eram regiões facilmente defensáveis contra ataques de feras ou gente inimiga. Desde o século X, estas áreas de intensiva produção agrícola e cultural foram se multiplicando por vales fluviais e terras altas, em qualquer lugar onde a enxada de lâmina estreita ou um bastão para cavar, instrumentos da sobrevivência cotidiana, pudesse fecundar o solo. . Foi assim que no século XI, um povo, chamado por seus precursores de tellem, se instalou nas falésias do Mali para cultivar as bordas do extenso planalto de Bandiagara. Nas frestas de pedras, em profundas cavernas, esses agricultores estocavam grãos, enterravam seus mortos e erguiam oferendas aos seus deuses. A partir do século XV, tal gente vai lentamente sendo absorvida por um povo de diversa origem, os dogons. Criativos a ponto de aproveitar a menor gota d'água que encontrassem, eles cultivavam o milhete ou painço. Além disso, no curso interior do rio Níger, aproveitavam áreas favoráveis para plantar arroz de sequeiro. Devemos a eles as mais belas esculturas e as mais coloridas máscaras de toda a África, máscaras costumeiramente guardadas por iniciados encarregados de "conservar as almas ancestrais".

Esta tradição migratória era responsável pela lenta multiplicação de famílias ou de pequenos grupos que podiam se instalar ao lado de gente de origem completamente diferente. Os dogons, reuniam originalmente grupos de tradições e línguas tão diversas que, muitas vezes, vizinhos há poucas centenas de metros não se compreendiam. Mas foi esta diversidade que permitiu a criação de uma sociedade extremamente móvel, pronta a se deslocar cada vez que seus recursos pareciam limitados ou ameaçados.

À medida que os indivíduos se adaptavam a diferentes ambientes, a cultura se diferenciava, formando múltiplos grupos étnicos. Foi o talento de Jan Vansina que conseguiu arrancar de tantos idiomas preciosas informações históricas. Da mesma maneira que os colonos de origens diversas, estabelecidos nas falésias de Bandiagara, no Mali, tinham estabelecido uma cultura dogon bem específica. Na borda nordeste da floresta equatorial, falantes de língua banto oriental se misturaram a cultivadores de cereais, falantes de língua saaro-nilórica, dando origem a uma cultura complexa. Ao norte do continente, na borda oriental de montanhas de difícil acesso como Xoa, na Etiópia, esses grupos entram em contato com cultivadores de cereais que falavam língua banto oriental. Ao sudoeste, para além da floresta, nas savanas da atual Angola, haviam sido criadas, desde 1400, concentrações populacionais nos vales fluviais, a partir dos quais se avançou em direção às regiões mais altas dos montes Mitumba, entre Ruanda e o Congo

Apesar do enorme esforço de ocupação da terra, os habitantes da África Atlântica tinham que lutar com afinco contra um mundo hostil, instável e agressivo. Pesquisas de historiadores e demógrafos revelam que as doenças os atacavam impiedosamente, como sugerem as deformidades e dores que os artistas iorubás da cidade de Ifé imprimiam às suas esculturas em terracota. É possível que a maior parte das doenças fosse crônica e não fatal, pois as populações tiveram muito tempo para se adaptar aos parasitas. Exceto nas regiões mais secas, a malária era o mais fatal dos males, ceifando muitos recém-nascidos. Em razão de essa doença não se ter disseminado nas altas terras de Camarões, a região conheceu uma colonização intensiva.

A mosca tsé-tsé, portadora de tripanossomíase - parasita da doença do sono - infestava, por sua vez, inúmeras terras ribeirinhas da África central, matando, no século XIV, até um monarca, o rei Diata II do Mali; ela era, em geral, crônica. Conhecia-se, aí, também uma forma benigna de varíola. Tanta e tão longa convivência com a doença favoreceu o progresso das competências médicas. O banto primitivo possui um radical para a palavra remédio, "ti", que é o mesmo para árvore, indicando que as práticas de cura guardavam estreita relação com o conhecimento das plantas. No século XVI, depois da chegada dos portugueses a Angola, missionários jesuítas foram os primeiros a observar a competência de curandeiros, parteiras, cirurgiões barbeiros e feiticeiros no preparo de pomadas, unguentos, purgativos e outros remédios. Pesquisas antropológicas só vieram a confirmar o caráter racional dos sistemas médicos bantos. Ruim era quando a doença se acompanhava de uma baixa de vitaminas e proteínas animais, seguida de hemorragias, dores de cabeça, febres, cólicas, dores de estômago, como as reveladas no século XVII, na
Costa do Ouro. Tais doenças se deviam ao consumo de água imprópria. Igualmente cruéis eram os sofrimentos impostos pelo "verme da Guiné", nematóide que se instala sob a pele

A fome, segundo os demógrafos, constituía em todas as regiões, salvo nas de culturas irrigadas, o outro obstáculo ao crescimento das populações. A tradição oral e as crônicas islâmicas das aldeias nas savanas associavam-na à seca e sublinham seus efeitos devastadores.““Arquivos portugueses revelam que, durante o século XVI, Angola sofreu uma grande fome que se repetia a cada sessenta anos.

Não se sabe se a situação teria piorado com a introdução, pêlos europeus, de uma forma mais mortal de varíola; as fomes, contudo, eram horrivelmente destrutoras. Elas empurravam os grupos a trocar suas crianças por comida, famílias a vender seus filhos e dependentes por um alqueire de sorgo ou milhete, e homens e mulheres a se deixar escravizar para não morrer de inanição. Fomes também podiam ser atribuídas aos gafanhotos - mencionados no Mali, em 1352, pelo viajante Ibn Batuta -, mas também às fortes inundações, ventos, guerras, secas e ao abuso de poder.

As mais graves crises se produziram nos anos de 1680 quando a fome ceifou da Senegâmbia ao curso superior do Nilo: muitos se venderam como escravos, com o único objetivo de sobreviver. Foi assim, também, em 1736 e 1756, quando a região foi assolada por secas e gafanhotos. Teria morrido, provavelmente, metade da população de Tombuctu, localizada na encruzilhada das mais ricas rotas transaarianas, levando Akbar Molouk a anotar: "As pessoas mais distintas só comiam grãos e ervas e toda a sorte de cereais que em tempos normais eram comidos pêlos mais pobres"; esses últimos, segundo alguns autores, ficaram sujeitos a comer-se entre si, o que na África era considerado crime gravíssimo. Hecatombes de tal amplitude eram possíveis: no Cabo Verde três fomes, entre 1773 e 1866, mataram cerca de 40% da população

IDÉIAS E PRÁTICAS RELIGIOSAS  DE NOSSOS ANCESTRAIS

A maior parte dos autores considera difícil reconstituir as idéias e práticas religiosas, pois essas eram constantemente renovadas. Os africanos não islamizados não possuíam escrituras, tinham, em lugar disto, tradições orais. E julgavam a religião por sua vivência diária, sobretudo quando se tratava de aliviar sofrimentos e de assegurar paz, prosperidade e fecundidade. Ai, se não funcionasse! O rei do Ndongo, atual Angola, fez executar onze fazedores de chuva durante uma terrível seca em 1575. Um tal "pragmatismo" religioso resultava em práticas e saberes religiosos muito diversos que aceitavam bem novidades se estas fossem válidas. As religiões estavam, pois, sujeitas a transformações, constituindo-se num dos aspectos mais plurais da cultura. Muitos observadores cristãos e muçulmanos se impressionaram com esse caráter diverso e fragmentado, reforçado pela ausência de textos escritos.

Os bantos mantiveram certa homogeneidade religiosa da qual sua língua é testemunha. Certas palavras provam que idéias sobre um espírito criador, espíritos de ancestrais e da natureza, filtros e feitiços, rituais e feiticeiros eram comuns. Cada grupo, contudo, chegava a idéias e práticas específicas. No século XV, por exemplo, o povo congo parece ter partilhado a noção de que um "espírito criador" estaria acima dos demais, e que as forças da natureza e dos ancestrais eram muito ativas. Estatuetas era o suporte material dos avós mortos e, por extensão, figuras por meio das quais se recuperava e utilizava os espíritos do além. Obras de um sacerdote especialista, único responsável por sua força mágica, tais estatuetas intervinham para fazer frente aos problemas do cotidiano - doenças, esterilidade, conflitos de todo o tipo. Uma abertura no dorso ou na barriga da estatueta protegia nas preparações de feitiços para as diferentes necessidades. Havia os "bons" feitiços, favoráveis à riqueza e fecundidade. E havia os "vingadores", encarregados de, por meios dolorosos, remediar problemas. Cada linhagem matrilinear comunicava-se com seus ancestrais por rituais efetuados em tumbas. A fertilidade agrícola era invocada por chefes da terra, que se serviam de mediadores espirituais. Divindades da natureza confundiam-se, muitas vezes, com figuras humanas deificadas, como é o caso de Ogum ou Xangô, e muitos deles confundiam, também, os sexos. Já no reino Cuba, no século XVIII, veneravam-se três espíritos criadores diferentes numa mostra da complexidade da religião e pensava-se que as ameaças naturais eram fruto de desordem social e moral. No Mali do século XI sacrificavam-se animais para chamar chuva. No Benim, a divindade mais cultuada, segundo alguns autores, era Olodum: ele garantia filhos e riquezas e era o benfeitor particular das mulheres.

As crenças diziam que os mortos viviam num mundo de sombras, reproduzindo as condições terrenas. Por isso mesmo os reis de Gana eram enterrados com seus ornamentos, sua comida, seus servidores. Em algumas destas cerimônias, segundo cronistas europeus, matavam-se dezenas de escravos. Na Costa do Ouro, os homens comuns, por vezes, endereçavam ao sacrifício uma de suas mulheres ou alguns de seus Filhos. Em Bissau, quando da morte do rei, sacrificavam-se jovens que caminhavam para a morte cantando e dançando. As pessoas eram simplesmente decapitadas. Entre os dogons, as cerimônias funerárias incluíam danças no telhado da casa dos defuntos, nas quais muitos mascarados participavam segundo regras precisas. O objetivo era afastar a alma, evitando que esta voltasse, apavorando os membros da família. Uma festa periódica permitia o uso de uma grande máscara em forma de serpente. Ela simbolizava o ancestral morto, elemento de ligação entre o mundo dos vivos e dos mortos. Onde havia sistemas patriarcais dominando as sociedades, prosperava o culto aos ancestrais. De toda a forma, como resumiu o escritor angolano Mia Couto, "Em África, os mortos não morrem nunca. Exceto os que morrem mal... Afinal, a morte é um outro nascimento".

Onde a organização das aldeias era forte, a religião apoiava-se em sociedades secretas cujo objetivo era tirar força dos espíritos para curar doenças, assegurar a fertilidade e combater feitiços. É o caso da sociedade de iniciação Poro, presente em toda a África Atlântida. Ao longo de sete anos, jovens do sexo masculino passavam por três fases que os permitiam acesso ao conhecimento sobre a criação do mundo. O ensino era submetido a regras e hierarquias estritas. Os neófitos, ou seja, os que acabavam de ingressar na sociedade, falavam uma língua própria e cada classe portava ornamentos que as identificasse.

Os iorubás e outros povos aparentados veneravam, por sua vez, várias divindades: os orixás, divindades da natureza (trovão, rios, arco-íris etc.) que, depois de sua deifícação foram assimilados a ancestrais fundadores de dinastias. Elas intercediam entre os homens e o deus criador, Olodum. Entre estes orixás, Xangô, com o rosto sempre coberto pelas franjas de sua coroa de contas, tinha um lugar especial no panteão dos deuses. Terceiro ou quarto rei de Oió, cidade situada ao norte do reino iorubá, na Nigéria, ele era ao mesmo tempo temido no que diz respeito à justiça e venerado por suas manifestações, que trazem chuvas regulares.

Segundo as tradições orais, este soberano tirânico teria sido destronado e enforcado na floresta. Uma tempestade se teria abatido sobre a cidade de Oió, manifestando a cólera e a vingança de Xangô, vingança simbolizada no trovão e no raio. Desde então, ele se tomou o orixá dos raios, trovões e tempestades. Nas cerimônias que lhe são oferecidas, os sacerdotes portam na mão esquerda uma cabaça e na outra, o bastão com uma figura feminina penteada com a imagem do "duplo machado", emblema de Xangô. Esse remete tanto às pedras de raios lançadas pelo deus durante as chuvaradas, quanto à pedra neolítica que os camponeses teriam encontrado nos campos e interpretado como um presente seu.

Os iorubás e outros povos aparentados serviam a um orixá quer por herança, quer porque a divindade, por intermédio de um adivinho, os teria escolhido. Alguns orixás eram reconhecidos em certas aldeias ou cidades, outros, em toda uma área cultural. Os seus adoradores podiam reunir-se e formar um grupo local provido de templo, imagens, sacerdotes, rituais coletivos e uma função no intenso e colorido ciclo de festas. A adivinhação também era largamente utilizada. Nela, destacava-se o Ifá, sistema ma no qual um profissional escolhia, entre várias centenas de versos memorizados, aqueles que servissem ao consulente.

As coisas mudam quando surge o Islã. Esse se expandiu pela savana, em boa parte, graças ao comércio. Onde houvesse entrepostos ele se instalava. O Alcorão chegava junto com as barras de sal, os fardos de tecidos, os cestos, os objetos de cobre e os alimentos. Ia se insinuando, graças ao prestígio de que gozavam estas comunidades de mercadores. A gente local, devota de divindades ligadas a terra, às águas, às árvores, temia e respeitava este misto de comerciantes e sacerdotes, que perambulavam com talismãs ao pescoço - saquinhos de couro contendo um trecho do Corão - capazes de protegê-los de feitiçarias e inimigos. Além disso, previam o futuro, cuidavam dos enfermos e rezavam para chover. Estes mercadores aparecem nos livros como uângaras ou diuias.

No século XIV os tuaregues se convertem à nova fé. Nasce um grupo clerical, os kuntas, afiliado a uma das mais importantes fraternidades consagradas à penetração do Islã. No Bornu, entre 1574 e 1728, ao menos doze de seus soberanos fizeram viagens a Meca, passando pelo Cairo com enormes caravanas. Para a mesma época, há indicações de islamização extensiva nos campos. A dinastia Songai enraizada na curva do Níger se manteve, todavia, fiel à religião local. Sua queda, em 1493, ocasionada por uma coalizão de oficiais e clérigos dirigidos por ásquia (rei) Muhamed delongai, foi o primeiro golpe de Estado islâmico na África Atlântica. Entre os haussás, no fim do século XV, os soberanos das cidades-estados de Cano, Zaria e Katsina eram muçulmanos, mas isto não evitou tensões e resistências. Na última, um reputado centro de educação, conservavam-se ritos pagãos de coroação. O palácio, apesar do islamismo, era um bastião de culto aos espíritos.

No sul, a expansão foi mais difícil. Grupos islâmicos vindos do norte da África e até do Oriente Médio pelo Sael, chegaram entre os iorubás no século XV. Mas, aos fins do século XVIII, o clero dos Estados haussás considerava que os iorubás pagãos podiam ser reduzidos à escravidão. Tanto religiosos muçulmanos quanto cristãos consideravam as religiões africanas obras do diabo. No reino Kano, islâmicos abateram árvores sagradas de onde saíam, segundo eles, "estranhos demónios", para construir mesquitas no lugar. Os africanos consideravam os muçulmanos poderosos feiticeiros. A crônica de Gonja, coleção de antigos documentos sobre a história do continente, revela que o rei se converteu depois de ter constatado a superioridade muçulmana na guerra. A hermética sociedade Poro fez de um deles membro, apenas para protegê-la de seus inimigos. Os amuletos de origem islâmica eram particularmente apreciados. O islamismo mudou até a genealogia dos reis negros. No Mali, diziam-se descendentes do muezim - aquele que anuncia em voz alta, as horas de preces - do profeta Maomé. No Kanem, atual Chade, os soberanos afirmavam ter origens no Oriente Médio. O Islã oferecia aos africanos do oeste uma idéia mais precisa do Criador e das maneiras de se aproximar dele, poderosas visões do paraíso e do inferno, um sentimento de destino a atingir e uma cosmologia sob autoridade da revelação divina.

Nas cidades haussás do Bornu tudo isto foi adotado, mesmo por aqueles que continuaram adeptos do panteão local. Alá fundiu-se com o espírito criador. Emprestou-se da nova fé a idéia de anjos e demónios. Adotou-se a idéia de uma figura profética capaz de revelar o saber divino aos homens. Resultou disso uma variedade de crenças que os soberanos encorajavam na preocupação de manter a harmonia. Ibn Batuta viu, assim, o rei do Mali celebrar, de manhã, o ramada, indo, à tarde, ouvir os feiticeiros vestidos com máscaras de pássaros cantar louvores à dinastia reinante. Conta-se que um soberano de Jené fez construir uma mesquita dividida em duas partes: uma para muçulmanos, outra para pagãos. Até o século XVIII, sacrificavam-se animais para Alá, na corte de Katsina.

Os muçulmanos reagiram contra tal ecletismo, condenando, o sacrifício de escravos e serviçais quando da morte de soberanos, punindo a excisão de mulheres e lutando contra a magia. A veneração do livro santo - o Alcorão - mostrou a que ponto a alfabetização podia separar as religiões. Muitas palavras africanas foram tomadas emprestado dos árabes, por exemplo, tinta, amuleto e lucro, entre os songai.

Portanto, na sua terrível luta contra a natureza, os africanos se preocupavam, sobretudo, com a prosperidade e a harmonia no seio do mundo terrestre. Este ideal era encarnado pela figura do "grande homem", rico em armazéns de grãos, em gado, em ouro e, sobretudo, em escravos prontos para assegurar trabalho, segurança e poder. A poesia traz inúmeras imagens sobre essa existência ideal feita de riquezas, mulheres, filhos, títulos e uma longa vida. A busca da prosperidade levava a um espírito de reciprocidade, provado através da distribuição de bebidas, comidas a todos. O resultado é que não havia acumulação sem redistribuição. A fortuna - arziki, em haussá - se perdia facilmente onde a natureza era hostil e a morte se mostrava tão presente. Num mundo onde não faltavam terras, pobres eram aqueles que não podiam trabalhar, porque eram velhos, mutilados ou muito jovens, ou porque não podiam contar com a parentela para sobreviver. Fora do quadro familiar, a proteção era informal.


Fonte: MARY DEL PRIORE E RENATO PINTO VENÂNCIO.
ANCESTRAIS - UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA ÁFRICA ATLÂNTICA

Texto Adaptado Por Lokeni Ifatolà

 

 
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